É com um pouco de atraso que venho aqui postar sobre o jogo entre Brasil e Costa do Marfim.
Atraso esse justificável. Se o Brasil para na Copa por que também não posso parar? Não, eu não posso parar. Eu estou plugada. Em 220 volts por aproximadamente 20 horas. E quando sobra uma hora extra eu quero relaxar. Tenho esse direito, não?
Às vezes acho que não. Já me surpreendi fazendo várias coisas ao mesmo tempo. E gosto muito dessa correria. De fazer quase tudo no mesmo dia. Quanto mais parada fico mais preguiça me dá. E é essa agitação que me faz pulsar.
Mas confesso que durante a Copa tenho vontade de me atirar no sofá pra assistir todos os jogos. Gosto de ver a bola rolando no gramado, dos chapéus, das enfiadas, das pedaladas, dos cruzamentos, dos gols, claro... eu sei o que é um impedimento, um escanteio. Mas vocês, homens, mudam as regras. Veja só, agora cartão amarelo só vai zerar na fase das semifinais. Eu tinha dito com tanta propriedade que ía zerar nas oitavas... Deve ser pra que tenham o gostinho de dizer que nós mulheres não entendemos nada de futebol. Deve ser por isso que mudam as regras.
Mas uma coisa não muda: dentro de campo o time que está perdendo se desespera. E começa a fazer faltas. Entradas duras. Saídas de jogadores. No banco o técnico grita, xinga. Aliás... como o nosso técnico xinga, não? Até em coletiva de imprensa. Imagine como deve ser no vestiário. Nos treinos fechados.
E começo a acreditar que esse temperamento rude do técnico é contagioso. No jogo do último domingo Kaká foi expulso injustamente. Mas o que se comentava nos noticiários era que o bom moço xingou em campo. Onde estava o calmo Kaká? Pressão do jogo? Talvez. Mas acredito mesmo numa influência do Dunga. Porque se gentileza gera gentileza, a falta dela pode gerar momentos explosivos.
Quem não retribui um sorriso com outro? Um favor com um obrigado? Um afago com um abraço? E quem nunca retribuiu um xingamento com outro já está atirando as pedras que tem na mão.
Não devemos retribuir nenhuma falta de cortesia. Pelo menos não fora do campo, aqui na nossa vida cotidiana. Gentileza é educação e coragem. Se alguém vier com as pedras, dê flores. Só o amor deve ser contagioso, deve ser aproveitado e reciclado, espalhado. O resto deve ser jogado fora.
Na grama, durante os noventa minutos, está em jogo uma taça, o que talvez justifique uma ou outra demonstração de indelicadeza. Mas durante os dias em que você viver está em jogo a paz do seu coração, o que não justifica a impaciência, a rudez, a falta de sorriso no rosto.
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